segunda-feira, 26 de março de 2012

A TEOLOGIA DO MARTÍRIO: ESTEVÃO


Estevão estava entre os sete homens escolhidos para cooperar no ministério cotidiano dos serviços prestados às viúvas em Jerusalém (At 6.1-5), se enquadrando no perfil de alguém com uma boa reputação, cheio do Espírito Santo e de sabedoria.
O Espírito concedeu a Estevão dons para a realização de grandes sinais (v. 8), além da uma excelente habilidade apologética:
Levantaram-se, porém, alguns dos que eram da sinagoga chamada dos Libertos, dos cireneus, dos alexandrinos e dos da Cilícia e Ásia, e discutiam com Estêvão; e não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito, pelo qual ele falava. (v. 9-10).
Impossibilitados de superar Estevão com os seus argumentos, aqueles religiosos partiram para levantar contra ele uma calúnia, subornando alguns homens para que dissessem que o servo de Deus havia proferido blasfêmias contra espaços sagrados e a lei judaica (v.12-13). O resultado das acusações foi a detenção de Estevão, que foi levado ao conselho para ser ouvido (At 7.1).
Sem temer a possibilidade do martírio, intrepidamente Estevão levanta a sua voz, e passa a discorrer sobre a história dos judeus esplendidamente, apontando para alguns erros dos pais, e certamente provocando com isso uma tensão entre os presentes (At 7.2-50).
A tensão aumentou quando Estevão passou a confrontar os seus ouvintes, acusando-os de serem homens teimosos, indispostos para ouvir e resistentes ao Espírito Santo, associando o comportamento destes ao de seus pais:
Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim como fizeram vossos pais, também vós o fazeis. Qual dos profetas vossos pais não perseguiram? Eles mataram os que anteriormente anunciavam a vinda do Justo, do qual vós agora vos tornastes traidores e assassinos, vós que recebestes a lei por ministério de anjos e não a guardastes. (v. 51-53).
Neste momento os ouvintes de Estevão ficaram enfurecidos, sentimento este fomentador e potencializador de martírios (v. 54). Cheio do Espírito Santo, condição essencial para a superação do medo do martírio, Estevão é tomado por uma magnífica visão, e não se contém em revela-la:
Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus e Jesus, que estava à sua direita, e disse: Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, em pé à destra de Deus. (v. 55-56)
Diante disso, em meio a gritos e com os ouvidos tapados, os opositores de Estevão arremeteram contra ele, promovendo o primeiro martírio registrado na história da Igreja:
E, lançando-o fora da cidade, o apedrejaram. As testemunhas deixaram suas vestes aos pés de um jovem chamado Saulo. E apedrejavam Estêvão, que invocava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito! Então, ajoelhando-se, clamou em alta voz: Senhor, não lhes imputes este pecado! Com estas palavras, adormeceu.(v. 58-60)
O martírio não provoca nos martirizados rancor e mágoa. Estevão, seguindo o exemplo de seu Mestre (Lc 23.34), responde à violência de seus martirizadores com o sentimento e a verbalização do perdão.
O martírio de Estevão viria a se tornar referencial e exemplo para inúmeros cristãos ao longo da história da Igreja, que não recuaram diante das ameaças, das perseguições, dos sofrimentos e da morte, por amor a Jesus e em obediência à sua Palavra.

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