E a terrível escalada de acontecimentos terrificantes que abatem o Japão desde o tsunami de 11 de março
As notícias sobre a crise nuclear no Japão ganham uma escalada cada vez mais assustadora. Hoje, a prefeitura de Tokyo confirmou que a radiação chegou, de fato, à capital japonesa. Segundo as autoridades locais, o índice de radiação encontrado nos reservatórios de água da cidade está acima do limite permitido para o consumo humano. E ontem, o governo japonês já havia orientado seu povo a não consumir 11 tipos de vegetais cultivados na região de Fukushima, onde ocorreu o problema, devido aos riscos de radição para a população.
Enquanto isso, o número de mortos pelo tsunami do dia 11 de março na costa japonesa não pára de subir. Já são mais de 9 mil vítimas fatais e ainda há milhares de desaparecidos. O governo japonês já anunciou que a sua estimativa de custos para a reconstrução do país é de 310 bilhões de dólares.
Outra coisa que aumenta é a crítica internacional aos ataques de EUA, Grã-Bretanha e França à Líbia, ainda mais depois que se constatou o desrespeito ao teor da Resolução da ONU que autorizou a intervenção naquele país. Em razão das ações militares se desviaram claramente do estabelecido na Resolução de número 1973 da ONU, se opuseram aos ataques Alemanha, Rússia, Índia, Portugal, Turquia, Liga Árabe, União Africana, China, Brasil, República Tcheca, Polônia, dentre outros países e organizações.
O Conselho de Segurança da ONU aprovou a Resolução 1973 no dia 17, com conteúdo dividido em duas partes. A primeira parte estabelece uma zona de exclusão aérea na Líbia para restringir a ação de aviões tanto de Kadafi quanto dos insurgentes. Porém, logo nas primeiras horas de execução da medida, a coalizão ocidental permitiu que um avião dos insurgentes circulasse normalmente no espaço aéreo para atacar Trípoli, onde está Kadafi. Mal começou o ataque, o avião foi derrubado pelas tropas fieis ao líder líbio. Procurando evitar constrangimento, a Al-Jazeera mentiu descaradamente, comunicando que as fotos divulgadas da queda do avião eram uma montagem, uma tentativa de o governo de Kadafi desacreditar a ação internacional, e parte da imprensa caiu nessa em um primeiro instante, até que as imagens foram confirmadas, inclusive em vídeo, causando o primeiro constrangimento à operação.
A segunda parte da Resolução permite o uso de "todas as medidas possíveis" para "garantir a segurança da população civil" na Líbia. Ao mesmo tempo, a Resolução também poíbe, e de forma clara, tropas estrangeiras ocuparem a Líbia por meio terrestre. Pois bem, essa segunda parte do documento também foi desobedecida. Primeiro, porque em vez de os aviões se concentrarem em atacar apenas as frentes de Kadafi que cercam as cidades onde estão os insurgentes, passaram também, e principalmente, a atacar diretamente o próprio Kadafi em Trípoli, como se quisesse acabar rapidamente com a guerra matando logo o líder líbio. Essa medida não tem respaldo algum no documento da ONU, mas a coalizão argumentou que atacou Trípoli porque queria destruir equipamentos e máquinas das tropas de Kadafi que poderiam ser usadas no conflito. Só que o resultado foi 64 civis mortos e mais de 150 civis feridos em Trípoli. Ora, a medida não tinha por objetivo "garantir a segurança da população civil"? Como é que está matando, até agora, apenas civis? E mais: Como queriam atacar só equipamentos que "poderiam ser usados", se até um prédio governamental onde o próprio Kadafi constuma se reunir, e onde não consta haver equipamentos bélicos, foi destruído e Hillary Clinton chegou a anunciar (ontem) que, possivelmente, o filho de Kadafi havia morrido nos ataques - o que ainda não foi confirmado?
Outro detalhe: Essa segunda parte do documento fala que as tropas estrangeiras estão proibidas de ocuparem a Líbia por meio terrestre. Só que a coalizão já fala que vai entrar, sim, no território líbio. Qual o argumento usado para dizer que não está desrespeitando a Resolução? O texto da Resolução proíbe "ocupação", e a coalizão diz que não vai "ocupar" a Líbia, vai fazer apenas algumas "incursões no terriotório". Ah, tá...
Enfim, a intenção no texto da Resolução 1973 da ONU é proteger a população e evitar uma calamidade humanitária na Líbia. Mas, aproveitando as brechas na Resolução, a coalizão iniciou ataques aéreos de grande escala, o que acabou matando civis, além de atacar diretamente o governo central em Trípoli.
Que fique claro: Kadafi, como já disse aqui neste espaço, é um criminoso internacional, por quem não tenho um pingo de apreço (diferentemente de Hugo Chavez, Fidel Castro e outros, que o apóiam por se alinharem politicamente a Kadafi), porém a forma como a situação na Líbia foi tratada pelos EUA, França e Inglaterra foi, em muitos aspectos, precipitada. Ali, está ocorrendo uma guerra civil com equipamentos bélicos (tanques, armas e aviões) dos dois lados, e não um genocídio de fato, como ocorriam no Iraque de Saddam e como ocorre hoje no Sudão. E se, no desenrolar dos acontecimentos, se constata-se realmente a necessidade de uma intervenção internacional, ela também não poderia ocorrer fora dos parâmetros estabelecidos.
Amanhã, o Conselho da ONU se reúne para avaliar se o teor da Resolução tem sido respeitado e os rumos que deverão ser tomados daqui para frente. Esperar para ver.
(P.S.: Excelente o editorial do jornal "O Estado de São Paulo" de ontem sobre a intervenção militar na Líbia. Leia-o aqui)











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